8.10.10

Conversa de editor e autor - de Walter Benjamin





EDITOR: Minhas expectativas foram desiludidas da maneira mais grave. Suas coisas não têm nenhum efeito junto ao público, não atraem o mínimo. E eu não poupei em acabamento.

Eu me arrumei com reclames. – Você sabe que, depois como antes, eu o aprecio. Mas você não poderá penar mal de mim se agora também minha consciência de comerciante se agita. Se há alguém que faz o que pode pelos autores sou eu.

Mas, afinal, eu também tenho mulher e filhos para cuidar. Naturalmente não quero dizer que o culpo pelas perdas dos últimos anos. Mas o amargo sentimento de uma desilusão permanecerá. Por enquanto, infelizmente, não posso absolutamente mais apoiá-lo.

AUTOR: Meu Senhor! Por que se tornou editor? Isso tiraremos a claro sem demora. Antes, porém, conceda-me isto: Eu figuro em seu arquivo como nº 27. Você editou cinco de meus livros: isso significa que apostou cinco vezes no 27. Lamento que não deu 27. De resto, você só me apostou cheval.

Apenas porque estou ao lado de seu número de sorte, 28. - Porque se tornou editor, você sabe agora. Poderia do mesmo modo ter adotado um meio de vida honesto como o senhor seu pai. Mas sempre aos trancos e barrancos - assim é a juventude.

Mas evite de fazer passar por honrado comerciante Não se ponha com cara de inocência, se perdeu tudo no jogo; não conte nada de seu dia de trabalho de 8 horas e da noite em que ainda mal consegue encontrar repouso. "Antes de tudo, meu filho, seja fiel e verdadeiro!" E não faça cenas com seu números! Do contrário será arremessado fora!