25.8.09

Sonhos vendidos em bares - Miguel Piñero


Anderson Fonseca*




sonhei ser um poeta

&
escrevia canções de marinheiro
palavras fortes & poderosas colidindo
nas muralhas de aço & concreto
erguidas em mentes fracas
&
adormecidas
substituindo um hobby de juntar papel doce
para engravidar jovens de pensamentos estéreis

eu sonhei que era poeta
as palavras brilham douradas e
começam uma nova febre de ouro
nos bares onde nossos poemas e canções são cantados
mas
a luz do sol entra pelas venezianas
e os olhos cegos odeiam o passar do tempo

relógios suando
jurando escravos
da última moeda
uma assombrosa viagem de uma moeda

o suor insulta
o orgulho do poeta
palavras param no vermelho
e avançam no verde

sonhos de poeta
que terminam numa fábrica
um em um milhão despercebidos
compram sonhos vendidos em bares...






* Tradução publicada originalmente na revista Confraria edição n° 24

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