14.8.09

As corujas pitagóricas

.............................................Corujas, acrílica sobre cartão, 1m X 0,80 m, 2006
.................................................................................................Elaine Pauvolid



Onde antes morava um rato, moram ali as corujas pitagóricas. Ali, no lugar mais estreito da casa, onde o relógio de cordas parou de funcionar, elas, acompanhando o TIC TAC das coisas meditam a solução do tempo. E embora o relógio não faça mais TIC TAC, suas mentes acostumadas ao ritmo compassado das coisas demoram a resolver o problema. Ou seja, pensam as corujas pitagóricas segundo o TIC TAC das coisas. Talvez, por isto, é que há milênios ainda não alcançaram a última questão do problema. E tudo por que há dentro de cada brecha um “se” a importunar. Quando uma coruja começa a se aproximar de resolver o tempo, antes de alcançar o termo incógnito ela encontra um “se” que embaça a solução, e tudo, volta à indagação do “quê”, e no “quê” fica ali os olhos inertes, absortos numa resposta que não vem. E quando isto acontece a coruja para. A verdade é esta: O tempo quebrou e necessita ser consertado. Mas o tempo está lá em cima e as corujas cá em baixo e nenhuma das criaturas ousa alçar vôo para puxar a corda do relógio, preferem ficar na sombra meditando a mecânica das coisas, e não por que é fácil ou por ser já um rito, mas, por que acreditam que o TIC TAC irá voltar, no entanto, há sempre um “se” entre/entre/entre cada batida, e ali depositam seus pensamentos: E se o tempo for uma questão de horas? Talvez. Então é bom se adiantar para não perder o trem. E se o tempo for somente memória? Aí, quem sabe, nós andamos esquecidos e só queremos lembrar de algo que já passou. E se? Talvez. E se? Talvez. E se? Talvez. E se? Talvez. E se? Logo, ninguém atravessa essa linha: a inércia surge e se espalha. Que terrível doença se apossou das corujas pitagóricas!

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