4.4.09

Os pequenos


À Morena Cambará




Introdução



Os pequenos, seres minúsculos, habitam os corredores de um castelo de treze lados. Por estarem assim "presos" reagem de maneira diversa ao que vêem nos corredores do castelo. Eles estão ali faz uma eternidade e permanecerão caso não encontrem a saída...


Corredor 13

Em um aquário, bem colocado no chão, há várias emoçõezinhas flutuando. Aí um pequeno vem, pega uma emoçãozinha e chora, depois outro pequeno pega uma emoçãozinha e sonha, e assim muitas emoçõezinhas saem do aquário até ficar somente uma mal compreendida, chega um pequeno, que se diz filósofo, e chama o aquário de caixa-de-pandora, este é o único que se recusa a pegar a última emoçãozinha e depois dele ninguém atreve-se a tirá-la do aquário, por certo ficará flutuando até que todas as outras sejam devolvidas.

Corredor 12

Alguns corredores são ocupados por sinistros moradores. Certa vez, passando pelo corredor doze, vi a imagem de um jovem se contemplando no espelho. Não sei porque ele me observava tanto, tentei a todo custo destruir por completo aquela imagem, mas ainda um pedaço dos seus olhos me fitava...



Corredor 11


Estar no corredor onze é bastante incomodo. Ninguém creio eu, suportaria ouvir a voz da própria alma e a de outras com a própria boca fechada por uma mão oculta, que talvez por se estar no escuro, seja a sua.



Corredor 10


Os muros do corredor dez são brancos e levam a uma sala branca onde sentado num sofá branco uma mulher de olhos nublados analisa a anatomia do seu espírito com instrumentos cortantes.




Corredor 9


Certos pequenos aguardam em fileira serem chamados. Eles sorriem, que felicidade! Estão brincando de comida, eles são a comida. Uma FORMIGA devora um, depois outro. Como é saboroso o gosto humano! Suas vidas se apossam de um sentido: servir de ceia a FORMIGA. Alegres! Vão e se vão, entregar-se a besta. Nenhuma lamúria, grito ou gesto de terror diante dela. São tão ingênuos, e não há como lhes abrir os olhos. Imaginam que a boca da fera é uma porta para o jogo do medo, e estão certos, mas, erram por desconhecer
suas idas...




Corredor 8


Pouco me lembro do oito senão de uma menina cosendo sua boneca.



Corredor 7


Uma caixa está no centro. Dentro da caixa, a verdade. Um pequeno vê a verdade e chora.



Corredor 6


.... claro como o infinito.


Corredor 5

Não conheço o corredor cinco, mas já ouvi dizer que ali um velho demônio assusta os pequenos com seu sorriso.



Corredor 4


O corredor quatro leva ao poço do castelo. No poço pelos silvos que pode se ouvir a distancia, habitam atuais vultos de nossos antigos temores – para seu conhecimento- a visão de uma criança roendo a unha me causa intenso pavor.



Corredor 3


Freqüentemente acontece passar pelo fim do corredor três, ali um brinquedo curioso lembra um cone preso a vários planetas, a sua volta estão baratas e larvas de mosca; apesar de nosso interesse, nenhum dos pequenos se atreve aproximar.

Corredor 2

Para os pequenos o único meio de sair do castelo é rompendo um dos espelhos, no entanto, quem de nós saberia discernir.


Corredor 1




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