18.1.09

Elaine Pauvolid - poemas



Verônica

Lavada em vertigem,
na varanda, da fuligem,
não de altura pouca,
perto da fé repousa.

No hábito, olhos além da porta,
a verônica acena,
levando a alma trêmula
a agradecer a Ele
a besta a tombar na areia,
ao som dos motores em Guadalquivir,
marulhada dos leques em Granada,
dor da Virgem, touro morto.
Ave, Sevilha,
peço-lhe em prece aflita
que essas águas
dos meus erros me lavem.


Espadas

Meus livros são espadas exangues
imaculadas enquanto não lidos.
As espadas querem abrir-te.
Habitue-se, amigo.
Habite-me.


Pequenas Mortes

O cheiro que nem sempre é perfume
o sexo que não tem volta
a vulva que liberta e goza
o mercado fechado
a sua ânsia
e Deus ao lado.



Por que faço poemas

Não se faz poesia por aplauso,
não se faz poesia para o êxito,
não se faz poesia para o prêmio em dinheiro.
Ao menos eu
faço poesia para ouvir o silêncio
e sua voz cristalina lá no fundo
dizendo-me: faça poemas por mim.


Aquieta...

Quereria ser sua puta,
sentar no seu colo
sem cerimônia nenhuma,
senão a delas.
E beijar seu pescoço,
rindo à toa, ir pro quarto
contigo no fim da festa.
E ficar o dia inteiro
de pernas abertas
posando pra você,
minha arte quieta.



Tudo que é melhor se torna pior dez segundos
depois.
Basta que seja consumido,
digerido com pressa e avidez.
é assim que são tratadas as pessoas fast
food:
as mulheres de plástico e os homens de
. metal.






Elaine Pauvolid, é escritora e psicóloga, tendo resenhas publicadas em j0rnais como O Globo, Jornal do Brasil e Jornal do Commercio. Os poemas acima integram o livro Leão Lírico (edição da autora) lançado em 2008.
Elaine também edita a revista Aliás, revista eletrônica de cultura : http://www.aliasrevista.net/

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