8.8.08

Sobre a 2ª Sentença:










Crendo-se que o poema pré- (existe) num espaço-tempo abstrato, e sendo talvez, a sua existência abstrata, uma existência mental, visto ser a mente (self) uma forma essencialmente abstrata desprovida de tempo, espaço e matéria, há a possibilidade mínima, mas considerável de ser sua existência mental membro da mente de Deus, ou da Acrópole Poética, -(algo equivalente ao Holos pitagórico do Universo Matemático, onde, numa região exterior ao nosso universo habitariam os teoremas matemáticos e a Teoria dos Conjuntos de G. Cantor),- um lugar onde flutuam os poemas, é de se crer que o poema tenha vontade de revelação.
Um dos atributos teológicos da natureza de Deus e´ a revelação, supõem alguns teólogos agnósticos, que Deus criou o Mundo e o homem pelo desejo de revelar-se. Assim, a revelação do Ser Supremo era a razão suficiente para a Criação do cosmos. Atribui-se, portanto, esta necessidade ao poema. Habitando um universo oculto “inacessível” ao intelecto humano, apenas a vontade de revelar-se é a razão suficiente do poema emanar na direção do ser humano.
A revelação do poema, ao qual ocorre na inspiração, deve-se a vontade intrínseca, mas não se afirma consciente, do poema manifestar-se, ou “inclinar-se” a alma do poeta. No entanto, há outro atributo inerente ao conceito de vontade revelativa do poema: a escolha do poeta motivada por uma aptidão do poeta à natureza do poema. Embora na Parte I tenhamos dito que o poema como onda de probabilidade vem-a-ser real pela contemplação do poeta, o que abre espaço para pensar que o poeta “decide” o poema, é preciso relembrar que o poema é descoberto. Deste modo, creio que, o poema não é escolhido, mas ele escolhe o poeta por uma aptidão anímica do poeta à forma de sua existência, ou seja, o poema inclina-se ao poeta, por perceber de algum modo, e este modo desconheço, que o poeta é apto para manifestá-lo. Diria então, que há entre os dois, o poema e o poeta, um vínculo metafísico causado pelo próprio estado (forma) de alma do poeta. O que significa que , o poema agarra aquele poeta preparado para recebe-lo. Logo, o poema e o poeta, são seres que se recepcionam, o último escolhido pelo primeiro por uma aptidão metafísica.

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