8.8.08

Pode-se dizer que o poema está vivo? Seria muita pretensão afirmá-lo, prefiro comparar o poema a um vírus benigno, um organismo que encontra seu hospedeiro ideal, dentro do qual vai se reproduzir, contaminar e evoluir-se beneficiando o corpo do poeta.
O Poema está em busca do poeta e vice-versa, o anseio ameniza-se na contemplação do rosto no espelho, a imagem se desprende e direciona-se aquele rosto que a observa e o encontro de duas faces equivalentes anula a imagem no espelho e o corpo do contemplador desaparece, apenas existe um ser almágama de sua união com a imagem ( metáfora do ideos platônico) em si mesmo – símbolo de uma lenda alquímica em que um mago ao retirar sua imagem do espelho desaparece, quiçá seja ele, Fausto ou Paracelso.
O Poema, poeta, está a sua procura. Entre milhares de formas poéticas, há milhares de poemas adequados ao poeta, por estar ele apto a recebe-los. Por isto, o tempo torna-se um bom amigo e o desejo de encontrar o poema, uma força gravitacional de atração do poema a alma do poeta.
Certa vez, decidi caminhar para meditar um poema, era 17 de julho, há muito que desejava escrever um poema sobre guerra, após um tempo de meditação surtiu-me a mente a palavra Stalingrado, um insigth, a principio não entendi porque aquela palavra batia-me a cabeça, mas aceitei. Nesse dia, pesquisei sobre a Batalha de Stalingrado e descobri que aquele dia, 17 de julho, era a data de inicio da Batalha de Stalingrado, não sei afirmar se a palavra saltou do inconsciente à consciência, ou se fui inspirado, uma certeza apenas tocava-me o coração: o poema encontrou-me. Teorema: a idéia do poema carrega sua forma (ideos) – redundância platônica.


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