3.8.08

O poema como onda de probabilidade abre dois conceitos teóricos da mecânica quântica, aplicáveis ao seu modelo: 1º - Como já dito acima: o poema preexiste num universo perene, oculto à realidade física – o espaço abstrato onde flutua, este espaço pode ser mental, quem sabe a mente de Deus, ou uma essência sutil, segundo os teósofos. 2º- O poema tanto é uma descoberta como uma criação, para este conceito remete-se a Interpretação de Copenhaga: Segundo ela, a realidade é criada a partir da participação do observador na decisão do momento de um electron, isto é, a existência de uma partícula como onda de probabilidade é rompida quando um observador a toca com sua consciência por meio dos olhos. Logo, conforme a Interpretação de Copenhaga, a realidade é uma criação do observador, visto que a natureza na sua essência comporta-se abstratamente, a realidade, é pois, um salto do espaço abstrato para o nosso espaço de 4-Dimensões, onde o Tempo é a essência da matéria. Mas entenda-se a criação como o limitar do ser abstrato a compreensão do nosso corpo: um ato de submeter uma realidade à outra. Ao poema, ser descoberto é saber que ele está num lugar inacessível, ao qual temos acesso somente pela contemplação; A Criação: No ínfimo instante em que o poema é contemplado, o ato de o perceber altera sua natureza original submetendo-o a alma limítrofe do poeta. O poeta – unindo-se o criar e o descobrir – desvenda o poema. William Blake, disse: “Se as portas da percepção se desvelassem, cada coisa apareceria ao homem como é, infinita”. O Poema manifesta-se ao poeta como a revelação de um deus a um profeta. A presença imediata do poema como um feixe de luz instantânea a “rasgar” os olhos do poeta, provoca na sua alma a sensação divina e erótica de estar vendo o Infinito, – o ato de contemplar o poema é um ato de desvendamento do véu poético quando o conhecimento humano alcança o intelecto divino onde habita as letras que constituem a bela poesia.
Baseado no livro Sangue da Palavra de Marlos Degani, amigo e poeta - a quem o ensaio é dedicado.
Bibliografia:

BORGES, Jorge Luis, Sete Noites, ed. Max Limonad, São Paulo, SP, 1983.
DAVIES, Paul, Outros Mundos, edições 70, Lisboa, Portugal,1970,.
DEGANI, Marlos, Sangue da Palavra, ed. Desmaio Públiko, Rio de Janeiro, RJ, 2008.

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