3.8.08

Logo, o princípio de incerteza de Heisenberg até ao poema aplica-se de maneira adequada e elegante, ao sugerir que o poeta nunca estará certo de que sua perspectiva da completude do poema é verdadeira, mas que sua visão limita-se a um aspecto momentâneo da contemplação imediata e epifânica do poema. Torna-se interessante aceitar o conceito de obra aberta ao poema quando este pode ser completado por outros poemas gerados no curso da história por outros poetas que de algum modo perceberam diferentes realidades deste mesmo poema perene, – aqui um pensamento borgeano infiltra-se como um rato: todos os poemas coexistem na grande Biblioteca de Babel, – e um outro pensamento infiltra-se, quiçá, Platão: todos os poemas simulam o mesmo e verdadeiro poema, – em seguida, surge um conciliador, o Físico, que diz: o poema é “o holograma de uma sombra”., – este Físico é Degani. O poema-holograma indica-nos ser ele a projeção de uma realidade ulterior ao seio de sua própria existência, ele está nas imediações de um universo maior e Perfeito, e sua visão restringe-se a uma aparência, um traço vago duma imensa dimensão, quiçá infinita, ou a partícula do Aleph, – a compreensão do traço sugere a forma imanente; o holograma: a imitação equivalente de uma realidade, a sombra da Sombra (A Biblioteca de Babel). Mais além: o holograma na sua natureza compara-se à realidade simulada, neste ponto, conclui-se que qualquer percepção surgida a partir do holograma é equivalente ao objeto verdadeiro, porém, não quer dizer que o holograma não exista, melhor afirmar que o holograma está entre o ser e o nada no estado de potência. O poema-holograma corresponde, então, ao poema como onda de probabilidade na razão de ambos existirem numa realidade abstrata, que encontra-se entre a concreção de sua substância e o niilismo.

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