3.8.08

Filosofia da Poética (Ensaio Ilustrativo)

Parte I




À M. Degani











Borges, no livro Sete Noites, disse: “Quando escrevo alguma coisa tenho a sensação de que isso preexiste. Parto de um principio geral; conheço mais ou menos o começo e o fim; depois é que vou descobrindo as partes intermediárias; mas nem assim tenho a sensação de que as invento, de que elas necessitam de meu arbítrio; as coisas já se encontram ali. Mas estão ali escondidas e meu dever de poeta é descobri-las”. Há muito que alguns matemáticos defendem a idéia de que a Matemática é uma descoberta, e não uma invenção, assim disse, certa vez, o matemático A. K. Dewdeney. Porém, o que há entre este pensamento sobre a Matemática e a poesia, segundo a afirmação “quase religiosa” de Borges? Se se pensar que ambos são uma descoberta do pensamento em conjunto com os sentidos, é deveras afirmar em principio que ambos preexistem ao ser nous (o intelecto), mesmo que haja dúvidas sobre esta afirmação conceitual e de fé, é preciso considerar que para o matemático e para o poeta que defendem tal idéia, suas concepções geram em torno de uma crença platônica tomada como pano de fundo de uma visão central que move suas paixões e mentes. No entanto, a razão deste ensaio não está em torno da Matemática, mas da Poesia, por isto aqui, logo descarta-se o pensamento lógico e cientifico fundamentado nas linhas paralelas do tempo e do espaço, para voltar-se apenas as letras que “emanam” no tempo e espaço. Vamos partir de um Teorema “imaginário”: o Poema preexiste e é descoberto pelo poeta. O Teorema desde seu postulado apresenta problemas inerentes a sua construção e defesa. Um dos primeiros problemas a se considerar é : quando o poema preexiste – “quando”, não somente limita-se a tempo e local (o termo local aborda o sentido da mecânica clássica, quando há uma correspondência entre o local como referência do movimento de um objeto no espaço e o tempo deste movimento relativo a este espaço referente) como quânticamente – aqui aplica-se o conceito quântico de não-localidade, o qual considero melhor; Neste conceito o poema existe simultaneamente em todo e qualquer espaço-tempo nos multiuniversos do Universo, ou seja, o poema flutua como uma onda de probabilidade no tempo-espaço. A onda-de-probabilidade é uma onda de abstrata existência, isto é, concebe-a como uma existência imaterial – para não dizer fictícia, mas a imaterialidade da onda por sua abstração fenômenica, significa que ela está no tempo-espaço como fora dele (de modo oculto). Paul Davies, escreve: “Não podemos conhecer o comportamento preciso mas apenas uma coleção de comportamentos prováveis. O movimento de um electron através do espaço não é, pois uma questão bem-definida mas é como uma extensão da probabilidade, com os trajetos disponíveis e possíveis jorrando a maneira de um fluido. Em 1924, o príncipe Louis de Broglie sugeriu que o comportamento dos electrons era, na verdade, análogo ao de um fluido: especificamente ele propôs que os trajetos possíveis se espalhavam na forma de uma onda. Além do mais, a onda que estamos a discutir não é uma onda de qualquer espécie de substância ou material, mas uma onda de probabilidade”. Estando em diversos espaços-tempos abstratos como ondas espalhadas num lago, o principio de Heisenberg propõem a probabilidade de uma onda saltar do campo abstrato para o campo objetivo da matéria. Assim, dir-se-ia, que o poema como onda de probabilidade encontra-se numa realidade imaginária. Esta realidade fora do espaço e do tempo objetivo da dialética materialista somente é tocada pela mente de um contemplador.

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