3.8.08

Arthur Rimbaud sentenciou: "é preciso ser vidente, se fazer vidente". A vidência é o abrir os olhos da mente para vislumbrar ou iluminar-se na contemplação desta realidade não-local que é o poema que penetra toda a existência (ser no devir). Mas para a física quântica o ato do contemplador (observador) assim define-se: ele colapsa as ondas de probabilidade que existem de uma maneira sobrepostas umas as outras como uma pilha de sanduíches, a sobreposição das ondas significa que elas existem em diferentes dimensões que se cortam perpendicularmente de modo que numa linha de onda há milhares de outras espremidas, o observador, portanto as colapsa quando as contempla conscientemente numa única onda, o colapso “transporta” a onda do espaço-tempo abstrato para a realidade objetiva, ela torna-se um momento físico. O poema como uma onda de probabilidade coexiste com outros modelos de poemas nesta realidade atemporal, mosaicos de uma estrutura maior que somente toma forma a partir dos olhos do contemplador que no ato de contemplar estas formas ondulantes as colapsa numa única forma dotada de beleza e conteúdo. Este conceito-modelo do poema como onda leva-me a imaginar que o poema está oculto num universo-extra a minha realidade, mas de algum modo ele sinaliza sua presença por uma emanação sutil que se dirige a minha alma que a percepta e despertada traz do âmago sua forma pela consciência imediata de sua existência. No entanto, um outro problema apresenta-se a este modelo, a percepção imediata do poema pelo contemplador não significa que o poema há de se manifestar inteiramente ao poeta, mas creia-se que pela existência de outros poemas espremidos na sua “sombra” é possível conceber que o poema contemplado encontra-se em “falta”, isto é, o poema presente na objetividade do papel e da mente do poeta é somente o espectro mais próximo do corpo que ele representa, este corpo, aqui é, os outros poemas coexistentes a ele, o poema, pois, está como um simulacro dos outros poemas ocultos na sua forma objetiva e que ele por si só não alcança o Belo plenamente.

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