25.7.08

Carol Marossi

Comentário: Carol Marossi, violenta a sensação romântica contemporânea dissecando-a no intimo por uma correlação entre a invasão do externo (o mundo e suas imagens degradantes) e a recepção do interno (o anímico).




Departure




A plataforma vazia
um fog indócil

Malas no

chão do trem e

mãos decepadas

acenavam para o nada

das janelas.

Queria sussurrar no

teu peito e cantar

aquela canção démodé

- palavras irresponsáveis -



Mas um apito insistente cegou

minha voz e,

kamikaze, dei-lhea brancura das costas:

hic habitat felicitas



Rios afogando
o frágil rosto

convulso

trilhando caminhos

opostos aos teus.



****************



Acordo árida,

vestida de chumbo.

Lembro de Munique,

as densas noites

de uivos caninos.

E era verão

no sul.


Tão negro e viscoso,
tal como os dispositivos

de uma Halifax Law.

Mas os ecos chegavam

da Marienplatz

ressonando no meu peito,

prestes a lançar

uma ogiva nuclear.

Pé ante pé você invadia

a praça com seus imprestáveis

patins de gelo

(e era verão no sul).

Naquele quarto minha

alma degelava,

líquida como chumbo.






Carol Marossi, São José do Rio Preto, 1979. É poeta, advogada e mestranda em Direito do Comércio Internacional pela Universidade de São Paulo (USP). É membro do Coletivo Vacamarela que organiza a FLAP! e edita o jornal de literatura contemporânea O casulo. Foi membro da Comissão Organizadora do Tordesilhas – Festival Ibero-Americano de Poesia Contemporânea e tem poemas publicados nas revistas Não Funciona (São Paulo, 2007), Zunái (São Paulo, 2008), Lapsus – Collage Editorial (Lima, 2008), Série Alfa (Valência, 2008).

Escreve com regularidade no (http://hay-tomates.blogspot.com).





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